A kombi carioca e o transporte fluvial manauara.

Quem já andou de kombi no Rio de Janeiro, hoje substituídas pelas vans, sabe a emoção que é. Podemos dizer que não são lindas, nem que nos passam aquela segurança maravilhosa. Ao mesmo tempo sabemos o quanto é eficiente e como somos sempre bem recepcionados no espaço. Da mesma forma nos sentimos andando nos transportes fluviais manauaras.

Queríamos visitar o Museu do Seringal, que tem o seguinte endereço: Igarapé São João – Afluente do Igarapé do Tarumã Mirim (Zona Rural). Havia algumas agências que levavam até lá, mas como descobrimos que era possível chegar  lá de transporte público (ônibus + barco) decidimos ir por conta própria.

Pegamos um ônibus no centro de Manaus e fomos até a Praia de Ponta Negra. No ponto final caminhamos um trecho bem curto e chegamos ao terminal das embarcações, a Marina do Davi. É preciso enfatizar, para quem não conhece, que os rios da região norte são largos, possuem quilômetros de extensão e nem sempre é possível ver a outra margem. No meio desse rios há ilhas, nessas ilhas moram pessoas e em uma delas fica o Museu do Seringal.

No terminal pedimos informação, vários pequenos barcos, cada um passava em um conjunto de ilhas e comunidades ribeirinhas, pegamos, obviamente aquele que nos deixaria no Museu do Seringal. Todos sentados, embarcação coberta com um toldo, coletes salva-vidas e  posto de fiscalização da Marinha nas proximidades. Por um breve espaço de tempo questionamos mentalmente a necessidade do colete. Não havia muitos jacarés naquele rio, para que boiar?! Enfim, é seguro, é transporte comum, tanta gente usando, vamos relaxar e contemplar a paisagem.

SAM_1217

Então vamos curtir! Aquela vista de tirar o folego. Aquele rio caudaloso, a mata, o céu,  as ilhas, a cidade… Tudo lindo. O vento na cara e aquele balanço gostoso de barco… E o cara conduzindo a embarcação loucamente, com umas curvas de disparar o coração.  Ele para em alguns pontos para embarque e desembarque, o chamador-cobrador-assistente -organizador do espaço, tal qual existente nas vans cariocas, anuncia os destinos, ajuda as pessoas a entrarem e saírem da embarcação e recolhe o dinheiro enquanto o outro conduz. Na função de organizador no espaço ele tenta equilibrar o peso do barco: “vem pra cá, vai pra lá”. Isso com o barco já  em movimento.

Brincadeiras e comparações a parte… O passeio pelo rio foi extremamente delicioso. Para quem vive nas chamadas selvas de pedras, é surpreendente a descobrir um transporte fluvial para dar acesso a um chamada zona rural de uma capital. Para quem enfrenta trânsito diariamente e desde pequeno acredita que capitais e grandes cidades possam ter apenas cimento, surpreende-se ao descobrir essa imensidão de rios e matas que pertencem a capital do estado do Amazonas. Ressalva: a parte de urbana de Manaus é uma cidade grande e com estrutura urbana considerável.

SAM_1218

É uma outra lógica de vida, outro ritmo outro sistema de transporte. Tem gente que espera ônibus, se joga no trem lotado e tem gente que espera o barco passar para sair de casa.

Os transportes fluviais de Manaus, que partem da Marina do Davi, podem ser usados para ir ao Museu do Seringal, às praias da Lua e do Tupé e à reserva do Tupé.

SAM_1208