Menos rotina e mais roteiros: as lições de viagens de uma mochileira.

Galera, hoje colocamos aqui a reflexão de uma mochileira, a Victoria Mello. Ela fez um mochilão de 7 meses pelo Brasil, Uruguai, Argentina ,Chile, Bolívia e Peru. Trabalhando e viajando.  Um dia ela resolveu postar no grupo mochileiros do Facebook  as 5 lições que ela aprendeu viajando. Victoria conseguiu  expressar com palavras sentimentos de corações viajantes.

Fizemos contato com a Victoria e ela aceitou a nossa ideia de publicar o texto dela aqui.

Nós temos boas coisas em comum com a Victoria: a alegria de viver com alguém disposto a colocar a mochila nas costas e caminhar lado a lado.

Vamos lá… As lições…

5 lições que aprendi viajando (de Victoria Mello)

Nunca escrevi muito sobre o meu mochilão. Já me falaram para criar uma página, já me pediram fotos, histórias. Qual lugar te surpreendeu? Qual você menos gostou? Qual foi o mais bonito? Perguntas tão pessoais que as tornam um tanto quanto irrelevantes.
Talvez faltem perguntar o que aprendi e o que posso ensinar desses setes meses que passei rodando por aí.

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A primeira grande lição veio logo no início da viagem. Me lembro como se fosse ontem porque toda vez que paro para pensar nisso, consigo sentir com exatidão o medo que me preenchia. O primeiro passo é o mais difícil. Veja, isso não faz da viagem fácil ou das dificuldades menos cansativas mas o ponto de partida, a primeira viagem, deixar a zona de conforto… É aí que realmente mora a sua coragem. Porque o resto, o resto flui incontrolavelmente pelo caminho.
A segunda lição durou os setes meses para ser percebida. As pessoas são a melhor parte. De tudo. De tudo que me traz mais saudade posso dizer tranquilamente que são as pessoas, aquelas que, quem sabe, nunca teriam outra chance para cruzar o seu caminho. E que fazem de todo o percurso, um trajeto completamente único.

Terceira lição: o verdadeiro grande desafio é lidar com a exaustão. Quem partir para viajar hoje, que leve como certeza que a estrada pode ser tão cansativa quanto àquela rotina massante que faz de você quase um morto-vivo. Entretanto, cada dificuldade, cada lágrima, cada momento que a saudade de casa apertou valem a pena. Aprendi que o cansaço pode ser o seu pior inimigo. Das duas vezes que quis voltar para casa, foram os dias que mais me senti exausta. Aquela noite que se consagrou eterna. Aquelas horas de rodoviária que simplesmente não passavam. Esses momentos vão acontecer e cada um têm o seu próprio jeito de passar por eles. Você pode escolher seguir em frente ou voltar, não há nada de errado nisso.
A quarta e penúltima lição que trago comigo não é minha mas de alguém que já viajava a um bom tempo e me ensinou muito. Qualquer um pode viajar. Você só precisa de tempo ou dinheiro. Claro, a disposição é um fator crucial mas viajando descobri o quanto eu consigo trabalhar, andar, pedalar, não dormir e ainda assim estar mais disposta do que uma segunda de trânsito e faculdade. Você com certeza vai se surpreender com o quanto você muda longe de casa.

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A última lição que resolvi destacar, é, por acaso, algo que aprendi desde o começo. Talvez seja óbvio ou deveria ser. Cada um deveria se sentir livre para ser o que quiser ser. O que eu quero dizer com isso remete ao meu momento pré-viagem quando eu ainda sentia o peso daquela obrigação geral: escola, faculdade, trabalho, casamento, casa própria e filhos. Parece uma frase de um filme bobo mas a vida não tem uma receita. Ninguém deveria ser obrigado a estar numa faculdade que não gosta, estar num trabalho que não quer porque acredita que tem que fazer aquilo. Se o que te acorrenta é isso, então, você não deveria hesitar em largar tudo. Porque a propósito, cada momento na estrada te faz sentir que você largou menos do que ganha diariamente.
Desejo a todos menos rotina e mais roteiros.